Enquanto caminhamos para mais um “mergulho” desta última crise iniciada em 2007, continuamos a observar – atônitos – a principal economia do mundo sem nenhuma reação consistente que venha a pelo menos nos indicar algum futuro auspicioso. Os pacotes trilionários de dólares jogados na economia americana, a pseudo reforma do sistema financeiro e a atitude do governo atual americano não foram suficientes para causar algum efeito positivo sobre o “lado real” da economia, ou seja, o setor produtivo que causa todo o dinamismo de desenvolvimento econômico.
Porém, o mais importante para o resto do mundo é tentar entender e assimilar os porquês das demais economias serem totalmente dependentes de como vai a economia norte-americana. Somos capazes de responder? Vejamos:
1 – Os EUA se endividam na própria moeda que imprimem
O que isto significa? Significa que o limite para o endividamento é o céu, apesar de pareceres de agências de risco, a oposição republicana não querer aumentar o teto da dívida americana ou o mundo inteiro aconselhar os EUA de que sua dívida está grande demais, o limite para endividamento é, a grosso modo, quando o nosso credor não quer mais nos emprestar. Porém, no caso dos EUA, eles são – em última análise – seus próprios credores, já que imprimem a moeda a qual seus títulos de dívida serão pagos. Infelizmente, o mundo hoje não sabe como lidar com isso e nem está preparado para mudanças neste padrão.
2 – O FED decide quanto vai pagar de juros pelo próprio dinheiro solicitado aos seus credores
Ora, se eu decido a taxa de juros vigente na minha economia e, mais uma vez, pago tal dívida com o dinheiro impresso por mim, eu decido quanto posso pagar de juros. Por que isto ocorre? Como os EUA são a maior nação econômica do mundo desde os anos 30, o poder de barganha e o padrão estabelecido desde então a partir do uso do dólar como moeda de uso nas trocas internacionais amarram toda a economia mundial às suas determinações. Em suma, as taxas de juros utilizadas pela maioria dos países pelo mundo usam como referencial a taxa de juros americana devido à padronização das trocas internacionais através do dólar.
3 – Os pacotes econômicos de estímulo a economia americana são formas disfarçadas de desvalorização de sua própria moeda para ganho nas trocas comerciais
Quando um país emite mais moeda e a põe no mercado, o poder de compra oferecido pela moeda diminui, ou seja, há a desvalorização de sua moeda. Se a moeda, como no caso dos EUA, é utilizada como padrão mundial, os produtos produzidos e comercializados pelos EUA ficam mais baratos para serem vendidos ao resto do mundo, causando um aumento no saldo das balanças comerciais e de serviços. O resto do mundo sai prejudicado com o desequilíbrio provocado por um único país (mesmo sendo ele o maior de todos), o que prejudica ainda mais as economias nacionais em um momento de crise e recessão de muitas delas.
Se não encontrarmos uma saída para essa lógica perversa em um mundo onde temos hoje um equilíbrio de forças econômicas muito maior do que há 50 anos atrás, continuaremos dependentes de um padrão de crescimento mundial através dos Estados Unidos. E se ele não conseguir recuperar seu dinamismo econômico, enfrentaremos um grande período de Estagflação (como nos anos 80) ou, o que parece mais plausível, um período de recessão da economia mundial como um todo.
Uma das saídas financeira / monetária discutidas é a criação de uma cesta de moedas para tornar menos dependente a economia mundial de uma única moeda. Talvez assim, os porquês de sermos reféns de um único país sejam amenizados e desapareçam dos noticiários econômicos para entrarem somente para a História.
