Após um ano de forte expansão da demanda e, por conseguinte, a terceira maior taxa de crescimento entre as nações mundiais, o Brasil passa mais uma vez pela necessidade de cortes nas despesas governamentais com o principal fim de reduzir a inflação. Os estímulos do governo à reativação da economia após a crise de 2008 se perpetuaram até o fim de 2010, o que estimulou a forte expansão da economia no ano passado. Ademais, como conseqüência de uma forte expansão de demanda sem a contrapartida de expansão nos investimentos e na diminuição dos gargalos de nossa economia, nos vemos mais uma vez reféns da política de alta de juros para amenizar a aceleração da inflação. Até quando vamos permanecer com uma economia em compasso de anda e pára, “stop and go” no jargão economês?
O problema das baixas taxas de investimento no Brasil não é novo e continua a ser o principal entrave para uma expansão sem limitações da economia. A iniciativa privada não tem força para gerir os investimentos necessários em infra-estrutura no país e o governo não tem um plano de investimentos sólido e com metas objetivas. O PAC não passa de um programa de grandes obras, onde não há um objetivo claro de destravar o país em setores fundamentais que precisam ser desafogados para permitir uma expansão contínua de nossa economia ao longo dos anos. Com a manutenção dos famosos “gargalos” nos setores que compõe nossa infra-estrutura, temos fases de “espasmos” de demanda que geram expansões pontuais do PIB. Como esses espasmos não encontram resposta pelo lado da oferta através de novos investimentos, os empresários se encontram na posição de aumentarem seus preços para aumentarem seus lucros, dado o excesso de demanda a ser atendido temporariamente, gerando a famigerada inflação.
Os governos de Lula e, pelo que já parece, de Dilma mantém vozes dissonantes quanto às políticas a serem adotadas para o controle da inflação, o estímulo aos investimentos e a gestão da economia como um todo. Isso reflete na desconfiança que o empresariado tem em contrair dívidas para novos investimentos que podem ser estimulados ou não por políticas contraditórias praticadas pelas diferentes idéias palacianas. O Brasil continua sem objetivos, estímulos e políticas claras por parte do governo para assegurar uma expansão econômica contínua como as que assistimos, extasiados, nos países asiáticos.
Dado este cenário, para evitar uma tragédia ainda maior, o Banco Central se vê na obrigação de aumentar a taxa básica de juros da economia para frear a inflação. Tal política vem sendo praticada desde 1999, após o fim da âncora cambial, para conseguir romper com o aumento nos níveis de preço da economia. Ela fazia sentido também porque o país passava por crises no seu balanço de pagamentos - dadas as crises seqüenciais ocorridas em 1997 (Ásia), 1999 (Rússia) e 2001 (empresas .com) - e precisava atrair capitais externos para fechar a conta. Porém, conhecemos bem os efeitos deletérios dessas medidas, que desestimulam ainda mais novos investimentos no setor produtivo já que o crédito é fundamental para a criação de novas plantas produtivas.
Não podemos continuar reféns dessa lógica destrutiva de um país completamente travado por não estimular corretamente os meios que levariam a um crescimento consistente. O governo deve assegurar estímulos e políticas sólidas e contínuas à setores estratégicos da economia que desafoguem os demais, o que permitirá expansão econômica sem o perigo de crescimento da inflação.
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