terça-feira, 12 de outubro de 2010

Tolerância e a busca por dias de paz

             É impressionante a infinidade de formas pelas quais o ser humano tenta fugir da realidade para transformá-la em algo mais palatável aos seus desejos. Vi um filme hoje que me impressionou muito e me levou a escrever este artigo. O filme fala, basicamente, de conseguir avançar e voltar no tempo para corrigir situações e fatos que nós gostaríamos muito que fossem diferentes do que ocorreu de fato.

            Parece claro o entendimento das pessoas de que o mundo não vai bem e que as coisas deveriam ser diferentes. Porém, isso não leva as pessoas a lutar para tentar mudar suas realidades. Leva, sim, à criação mental de mundos ideais, onde tudo aconteceria conforme nossos desejos individuais. Acredito que isso é um problema grave dos nossos dias, onde preferimos ficar presos à ilusões perfeitas da nossa individualidade, em detrimento da aceitação de uma realidade onde as coisas não são como queríamos, mas onde poderíamos criar um ambiente real e próximo das nossas vontades.

            A principal forma de fuga da realidade é a alienação. Nos mantemos dentro do nosso próprio mundo onde podemos controlar a maioria dos fatos e situações, e, principalmente, conseguimos afastar os acontecimentos e revezes da vida que gostaríamos de não incluir na nossa estória.  Isso acaba levando a um isolamento da realidade e a um distanciamento das pessoas e dos fatos ocorridos. E daí deriva todo o problema. Quanto mais nos prendemos no nosso mundo, as diferenças entre as pessoas vão aumentando de forma que um indivíduo simplesmente não aceita (e não respeita) a individualidade do outro. Passamos a pensar que “o mundo está louco”, “as pessoas perderam a razão” ou coisa do tipo. Nada disso.

            Provavelmente a solução para isso viria de uma atitude conhecida por todos, mas cada vez menos praticada: tolerância. Não somos tolerantes com a família, com amigos e nos demais tipos de relacionamento que mantemos. Imagine com estranhos.  A tolerância perde seu espaço para vaidades individuais e principalmente para o medo que temos de não acharmos o nosso “lugar” ou a nossa verdade (?), de não conseguirmos nos auto-afirmar e não aparecermos como destaque nos círculos de relacionamento pessoal. Como exemplo clássico de intolerância no mundo, temos todos os atuais problemas religiosos envolvendo povos e países que se dizem estar em “guerras santas” (incluindo nesse bolo os Estado Unidos). A lei (isso mesmo, LEI) que proíbe muçulmanas de usarem a Burca na França é um símbolo do grande absurdo do mundo de intolerâncias que vivemos hoje.

            Só teremos dias de paz se conseguirmos superar o momento atual de intolerância geral entre as pessoas. Devemos lutar pela maior aceitação das diferentes idéias, atos e costumes de cada indivíduo e entender que isso trará benefícios a nós mesmos. Infelizmente, parece que estamos bem longe disso.

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